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Turbulência Que Nem São Jorge Aplaca

  • Foto do escritor: Júlio Moredo
    Júlio Moredo
  • 25 de mai. de 2021
  • 3 min de leitura

Crise corintiana parece não ter final previsível e tende a crescer em meio ao caos financeiro e administrativo. O que levou o Timão a tal abismo após atingir o topo do Mundo?


Há nove anos o Corinthians, com sua força orgânica e natural chamada Fiel Torcida, conquistava o Mundo numa partida galharda e predestinada a lhe sorrir; Era o coroar de uma caminhada de aparente reconstrução que teve início quatro anos antes, em 2008, quando o gigante de Parque São Jorge viu-se pela primeira vez no inferno da Série B, algo impensável para uma equipe que, a despeito de ser muito mal gerida, tinha reservas de capital político, humano e financeiro para ir sobrevivendo e às vezes vencendo.


Campeão da Segundona naquela ocasião, o time deslanchou: Trouxe ninguém menos que Ronaldo Fenômeno para um bom plantel e faturou Paulista e Copa do Brasil já no ano seguinte, abrindo caminho para a vitoriosa “era Tite” e o título do Brasileirão de 2011, levantando as asas dos Gaviões no rumo da coroa continental e global de 2012.


No instante em que o árbitro pôs ponto final à partida frente aos Blues londrinos em Tóquio, via-me rodeado de dois ou três amigos no Guarujá, litoral de São Paulo, já nos preparativos para as férias de final de ano. Ao vê-los comemorar com fervor aquele feito único (até pela eterna polêmica em torno do “outro” Mundial, o de 2000), pensei seriamente que dali em diante só veria o Corinthians acumular glórias atrás de glórias, superando apenas a si próprio.


Salvo porém alguns (bons) lampejos e brilharecos de times medianos montados em 2015 e 2017, o Alvinegro foi somente fazendo figuração gradual a cada temporada que se encerrava. Seus títulos neste período, do Brasileirão ao Paulista, já refletiam o baixo nível de nossa Liga e enganavam a fanática massa adepta que passava a frequentar o Itaquerão, nova e opulenta casa do clube após grande jogo de bastidor no período pré-Copa de 2014, talvez a última real demonstração de musculatura de colosso do Timão.


A dura realidade para a admirável nação corintiana é que o time não decolou como eu achei que o faria após aquela conquista máxima para uma equipe brasileira. Pelo contrário, o time se vê hoje sendo a quarta (ou talvez ate mesmo a quinta) força da Paulicéia, superado mesmo pelo fisiológico Red Bull Bragantino.

A nível nacional, a tendência é que o Todo-Poderoso apenas lute por um honroso meio de tabela, tamanha a limitação de verba e elenco escancaradas nos últimos jogos, especialmente quando comparados aos rivais de sempre e turno, como Palmeiras, São Paulo ou Flamengo, este último aparentando colher frutos de uma direção assertiva após décadas de penumbra similar à corintiana.


As humilhantes e fáceis quedas para o arquirrival da Barra Funda e o razoável Peñarol, respectivamente por Paulista e Sul-Americana, expuseram que a vida de quem respira o time do povo e faz prece a São Jorge antes de cada peleja será penosa e muito difícil de suster em sucesso. O convite declinado por Renato Portaluppi, um dos melhores treinadores brasileiros, para tocar o barco do Coringão, só corroboram a fase desditosa da instituição, tanto em material humano como em cofres. Uma “barca furada” para qualquer comandante navegar.

O curioso disso tudo é saber que essa derrocada iniciou-se com o mesmo homem que levou o Corinthians à tão ansiada vitória na Libertadores e Mundial da FIFA: Andrés Sánchez, alguém de teor moral duvidoso mas que parecia ser um astuto dirigente e sagaz líder para a nação preto e branca. Perdeu-se, ao que tudo indica, na empáfia dos triunfos e viu seu nome ser ventilado em bocas e salões não muito republicanos, por assim dizer, em graves suspeitas de corrupção. Duílio Monteiro Alves, figura carimbada das cúpulas do clube apesar de sua pouca idade, terá missão hercúlea pela frente.


Noves fora, deu no que está dando para a sofrida e gigante tropa do Altaneiro. Haverá, creio eu, muita labuta e agonia para estes estoicos guerreiros do dia a dia, que têm muitas vezes em seu clube a pouca ou única alegria de vida. São Jorge há de velar com muito custo essas almas, até porque não tem como fazer milagres com Mosquitos, Vitais, Luans ou Pitons. Que 2007 seja só um sonho ruim neste 2021 de quebranto para a Fiel.

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