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Teimosia e mediocridade

  • Foto do escritor: Júlio Moredo
    Júlio Moredo
  • 12 de out. de 2021
  • 4 min de leitura

Quanto vale o assassinato de uma essência? Eis a pergunta que não para de calar no coração de todo brasileiro apaixonado por futebol desde, a meu ver, a derrota para a França, por 1x0, no Mundial da Alemanha de 2006.


Esse sentimento melancólico e desesperançado de ver uma escola se perder, uma geração se construir à base do egoísmo, uma série de treinadores tornar a empáfia uma via de regra para treinar o Escrete, sem atualizações necessárias, só cresceu e foi perfeccionado após o terrível 7x1 frente aos germânicos, duas Copas depois, no sagrado solo pátrio do Mineirão.


De 2006 para cá já vimos passar Dunga (por duas vezes), Mano Menezes, o de péssima memória, Felipão, o de memória contrastante, e, depois, a partir de 2016, Tite, outro gaúcho tal e qual o trio acima. As similaridades entre eles, assim esperava o torcedor, parariam por aí, já que a segunda passagem de Dunga pela Canarinho foi um desastre tático, técnico e de resultados.


Como ocorre em qualquer instituição humana, uma mudança brusca de equipe gerencial ou comando traz aos que ficam sangue novo, ânimo, novos métodos de condução, de trabalho e diretrizes, bem como otimismos e esperanças. Foi exatamente o que ocorreu quando Adenor chegou à Seleça. Não só emplacamos uma série de vitórias como vencemos uma Eliminatória onde apenas cambaleávamos.

Veio a Copa do Mundo da Rússia e com ela as constantes e já triviais polêmicas envolvendo Neymar e seu estafe, sempre lestos em blindar, condescender e regalar o único craque geracional que temos.


Como comandante daquele grupo que tentaria, já com chances reduzidas, o hexa nas estepes eslavas, Tite não só errou ao entrar na dança de mimos ao “menino” Ney como conseguiu desestabilizar o ambiente no vestiário e, claro, nas ridículas entrevistas coletivas em que se escusava de falar sobre os privilégios inexplicáveis que detinha o camisa 10.


Para além disso, delegava ele ao ensaboado Edu Gaspar (hoje dirigente do Arsenal) a função de aparecer em público para cravar frases insólitas para tentar galvanizar o povo com frases que beiravam o desrespeito a um trabalhador comum (“Não é fácil ser Neymar etc.).

O nepotismo realizado com relação ao seu filho, que até hoje pouco compreendo o que faz no banco de reservas, é outro pecado que Tite realiza desde que assumiu a seleção.


Coroando tudo, ainda inventou termos pedantes e incompreensíveis aos olhos do torcedor como “extremo desequilibrante” ou “jogador terminal”. Tudo para ocultar sua patente falta de preparo e conhecimento em relação aos nossos adversários, especialmente os europeus, com os quais segue sem jogar em amistosos e se esforçar cada vez menos para conseguir agenda-los.


Deu no que deu e está dando. Derrota para a Bélgica nas quartas (não passamos desta fase desde o penta de 2002). E tome mais desculpas esfarrapadas, discursos aborrecidos e muita passação de pano para Neymar, calendário esdrúxulo, corrupção, desmandos e bagunças da CBF.


Depois disso aquela imagem de um treinador consagrado, sério, preparado, sóbrio, estratega e calculista já estava ruída ante os olhos do exigente adepto brasílico. O título da Copa América de 2019 mal tapou esse gigante sol de insatisfações com a peneira recheada de cifras que a Confederação coloca à sua disposição.

A liderança invicta destas Eliminatórias sul-americanas são extremamente enganosas também por isso. A equipe tem se portado mal especialmente nas transições, sempre confusas e sem criatividade, e na marcação defensiva em bloco, desprovida de qualquer compactação de volantes, laterais e zagueiros.


Foi por essas e outras, por exemplo, que conseguimos promover um bom vexame ainda este ano, na Copa América da COVID, quando perdemos para nossos Hermanos em pleno Maracanã sem jogar nada do que podíamos mesmo com a geração sendo mediana.


Os últimos resultados na competição preparatória para o Mundial do Catar do ano que vem só comprovam que o desgaste de Tite cresce proporcionalmente às suas demagogias, turrices e entrevistas a la Fidel Castro — Longas, maçantes e prolixas.


A teimosia, então, fica patente quando vemos que pouquíssimos jogadores da ótima safra que logrou o bi olímpico são aproveitados, casos de Raphinha, Anthony, Bruno Guimarães, Claudinho e Matheus Cunha, preteridos das escolhas iniciais para se colocar os de sempre— O bom mas insosso Gabriel Jesus, o mascarado Gabigol, o instável Paquetá e o inexplicável Fred. Do futebol doméstico, Hulk foi chamado e subaproveitado e Bruno Henrique, um craque, nem sequer é selecionado.

Ficou claro para todos que entendem um pouquinho do desporto-rei o quanto nosso selecionado melhorou quando a dupla de Gabrieis deu lugar aos dois primeiros supracitados na pobre exibição frente à Colômbia, em outra patética atuação do oco, irresponsável e ególatra Neymar. Só Tite e sua arrogância parecem não ter visto.


Enquanto isso nos aproximamos da Copa sem ter um time-base pronto e nenhum padrão de jogo inovador que agregue o nosso estilo leve, solto, ofensivo e lépido de jogar futebol. Ao contrário, com Tite ao banco as estrelas brazucas que brilham em seus clubes parecem perder foco, força e mesmo fé.


A impressão que fica é que o tempo do treinador se esgotou. Desgastou semelhante ao que ocorreu às vésperas da Copa do México de 1970, quando o criador de polêmicas João Saldanha foi trocado às pressas por Zagallo. Naquela ocasião o Esquadrão de Ouro brasileiro era imparável e venceu com sobras o tri.


Não pedimos tanto hoje em dia. Apenas que, em não trocando de treinador, que ele tome um chá de humildade e comprometimento, resgatando nosso jeito único de jogar para, depois, combiná-lo com o que há de mais moderno nos centros europeus.


Do contrário acredito que não passaremos nem das oitavas (França, Bélgica, Itália, Inglaterra, Espanha, Portugal, Bélgica e mesmo a Alemanha estão com mais bola do que nós). Se isso realmente acontecer, a necessidade de um bom e independente técnico estrangeiro ficará ainda mais clara até nas paredes da Granja Comary.

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