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Manifesto VARista

  • Foto do escritor: Júlio Moredo
    Júlio Moredo
  • 25 de mai. de 2021
  • 3 min de leitura

Antes de mais, um aviso aos navegantes que amam o esporte bretão: Sim, como (quase) tudo que ocorre em terras de Pindorama, o VAR brasileiro tem seus prós e contras ferrenhos, defeitos, debilidades e, claro, atrasos e mais atrasos devidos às nossas sobejas burocracias ou mesmo à pura e simples incompetência.


Isto posto, entretanto, confirmo e reafirmo minha intransigente defesa do VAR, seja em que certame for, mas especialmente aqui no Brasil. Ainda que este siga demorando seus “protocolares” cinco ou até dez, vinte ou trinta minutos para cravar seu veredicto, seguirei o defendendo, e explico o porquê: Além de reparar injustiças cometidas em campo, ele é o único apelo idôneo que uma equipe pequena ou seus torcedores podem ter durante uma partida contra qualquer adversário, em especial, claro, os ditos “grandes” (sempre favorecidos, muito pela mídia e torcida, menos às vezes pela História e seus ricos títulos).

Minhas razões para ter aplaudido o advento do vídeo-árbitro a partir da última Copa do Mundo, na Rússia, batem precisamente nisso: Como torcedor de uma equipe menor (em mídia, torcida e palmarés) alegro-me de ver que bem ou mal a ferramenta da tecnologia quase sempre repõe a verdade desportiva onde se lhe é chamado a atuar, pondo por terra o argumento de “parar toda hora” a partida ou “cortar a emoção do grito de gol” de quem assiste (geralmente estas críticas vêm de torcedores de gigantes, acostumados às vitórias e gols, muitos irregulares, e que reclamam com a barriga sanada de troféus).

Como todo aparato humano, o VAR é, claro, igualmente falho e potencialmente corruptível (especialmente em países como o nosso), mas as chances de isto se degenerar numa grande máfia são mínimas, com toda a TV à mostrar o que se passa durante cada lance da peleja, por diversos lances. Foi precisamente pela ausência de um vídeo-árbitro que uma equipe ora esquecida e pequena sentiu-se uma vez mais prejudicada em irremediável roubo.


Trato da partida do último domingo (9), no estádio do Canindé, entre a minha Portuguesa de Desportos e o Red Bull Brasil pela 13ª rodada do Campeonato Paulista da Série A-2. O confronto era crucial para a Lusa que, com campanha medíocre, necessitava dos três pontos para engendrar sua classificação à fase final (os oito melhores passam). Já o conjunto de Jarinu, filial menor do mais novo rico do país – o Red Bull Bragantino, era franco-atirador por estar proibido de ascender à Primeirona justamente por este detalhe nada pequeno.


Bola rolando, Portuguesa partindo pra cima e desfilando todas as suas limitações técnicas e táticas. Logo aos cinco (cinco!) minutos de jogo, o goleiro Fabrício deu um belo encontrão no meia lusitano Misael, o deixando prostrado na área sem sequer tocar na pelota; Pênalti, você não concorda? Não para o egrégio senhor João Vitor Gobi, que, vinte minutos volvidos e a três metros do lance, “não viu” o mesmo Misael ser rasteirado pelo joelho do defesa oponente. Pouco depois, um gol achado deu ao adversário a vantagem, e tome mais pressão rubro-verde até novamente o guarda-metas sair das traves para atingir Ermínio, ponta-de-lança da Lusa, com um golpe de tae-kwon-do. Amarelinho a ele e vida que segue, fingindo isenção.


O jogo seguiu, oportunidades para cá, para lá e placar inalterado. No último lance, o glorioso mestre do apito ainda teve o desplante de considerar impedimento um tento legítimo e claramente legal do lusitano Raphael Luz, que partiu de trás da defensiva inimiga. Para um torcedor comum foi o regressar à adolescência, à época em que incontáveis vezes tive ganas de adentrar ao gramado para parlamentar com o “professor” do espetáculo. Como é duro perder por força de terceiros, como é doloroso saber ter sido pilhado em sua casa, e é por isso que o VAR é tão imperioso e essencial.


Torcedores de equipes menores sabem o que digo e, desta feita, exigem que seus ingressos e atenções sejam justificados. Perder faz parte de nossa rotina, mas só a tecnologia nos salva desta amarga sensação de injustiça e impunidade que ainda reina nos saguões mais obscuros do futebol. Viva o vídeo-árbitro! Saudações à justiça democratizada! Que ela seja aplicada às divisões inferiores do Brasil o quanto antes. Custe o que custar aos gordos cofres da CBF e FPF.

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