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Em tempos escuros, esporte vira infâmia

  • Foto do escritor: Júlio Moredo
    Júlio Moredo
  • 21 de jun. de 2021
  • 3 min de leitura

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Em claro contraste com a belíssima cerimônia de abertura da festa europeia de seleções no passado dia 11 de junho, em Roma, irá ocorrer aqui, no nosso mortífero e enlutado Brasil, a segunda Copa América em três anos, a quarta em seis destes. Ao passo em que no Velho Mundo, do outro lado do Atlântico, vemos governos comprometidos, diligentes, orgânicos e rendidos à ciência lograrem o feito de realizar, com segurança e vacinação, uma Eurocopa quadrienal em onze sedes de países distintos, aqui, na terra descoberta por Cabral, se irá pelejar pelo título da rudez estúpida do negacionismo.


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Como todos sabem, uma das mais recentes polêmicas assassinas de nosso Governo Federal foi justamente o acolhimento imoral e provavelmente obscuro de uma famigerada disputa inútil no meio de um território devastado pela praga, tanto a biológica como a social, espraiadas igualmente numa nação em frangalhos por erros de seus timoneiros e marujos.

Colômbia e Argentina, nossos vizinhos a norte e sul, declinaram da organização conjunta do evento por falta de condições políticas e sanitárias. Em ambos os casos destes nossos coirmãos estamos ganhando de goleada no quesito caos político e sanitário e mesmo assim decidiram que o Brasil, na qualidade (i)moral e (a)ética de figuras como Jair Bolsonaro, mandatário do Planalto, Carlos Caboclo, assediador ainda presidente da CBF, e Alejandro Dominguez, eterno dirigente-mor da CONMEBOL, era, sim, perfeito para ser anfitrião de tamanha insanidade e desrespeito à carnificina em hospitais e favelas.


Fato é que a partir de domingo, 12 de junho, no Mané Garrincha, em Brasília, a seleção Canarinha irá pôr a bola do pão e circo para girar frente à Venezuela, a “União Soviética sul-americana” para muitos terraplanistas. O ato fará do esporte bretão novamente um feio instrumento para escusar governos corruptos, genocidas e autoritários, ocultando abaixo de porões, UTIs e tapetes os crimes que se estão cometendo diuturnamente do Oiapoque ao Chuí. O Escrete brasileiro foi incapaz de orgulhar os ainda indignados paisanos. Atletas e Comissão ameaçaram não jogar o torneio mas recuaram dez passos atrás no rumo da inércia (e ainda teve lunático chamando Tite, treinador milionário, de “comunista” durante a pressão pela greve).


Não, caros leitores, isto não é uma coluna de política nem tampouco sou eu um eurocêntrico como o igualmente sabujo presidente argentino Alberto Fernandez, que crê ser seu povo uma Alemanha sulina. Há apenas momentos em que esporte e a condição organizacional de um Estado ou continente se confundem e são usados como propaganda de algo que não está ocorrendo ou, pior, está se passando a olhos vistos.

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O clima para jogar uma competição sem méritos classificatórios, fraca tecnicamente (estamos cada vez mais abaixo dos grandes selecionados europeus) e desinteressante até pelo esvaziamento da Copa das Confederações será fúnebre em meio à mais terrível peste em cem anos. Esta atmosfera mortiça porá jogadores, de Messi, Neymar e Cavani a humildes copeiros bolivianos ou paraguaios, num mesmo balaio: O de artistas sem palco vivo, interpondo palas aos milhares que morrem a cada gol, defesa ou corte de suas pernas e mãos. Tudo isso sem garantias de isolamento e vacinação para estafes e jornalistas num campeonato que abrangerá cinco cidades gravemente afetadas pela COVID, de Cuiabá ao Rio de Janeiro.


O que lhes garanto é que pela primeira vez em toda minha existência torcerei por um improvável fracasso brasileiro, seja ele inclusive advindo de uma derrota contra nossos Hermanos do lado de lá do rio Uruguai. Será a vitória da justiça ante a insensibilidade de um governo perdido e com claras ameaças à nossa liberdade inclusive de torcer contra, se assim o desejarmos, a partir de finais de outubro do ano que vem.

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Se conselho fosse bom e pago, aqui vai um: Nossa linda América Latina tem seu lado perverso muito ligado à colonização parasitária e predatória feita por europeus, mas, neste momento, será melhor adotar a Euro como atração civilizacional em detrimento ao vexame pré-concebido de uma Copa que nasceu Cova.

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